fim de mundo com lan-house

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Lo mejor

Demorei a fechar minha lista dos 10 melhores filmes de 2009, mas aqui vai ela, sem ordem certa e com uma pequeno parágrafo de justificativa.

A bela junie
O retrato de um mundo vivo e pulsante dentro do tédio de uma sala de aula é uma verdadeira lição de como fazer um filme simples, mas cheio de vida. Honoré é um dos poucos cineastas que consegue não só contar uma história mas criar um mundo crível, que parece respirar para além de seu quadro. O doce amargo de se apaixonar na adolescência aqui parece mais real e não menos drástico.

A garota ideal
A boneca inflável mais expressiva da história do cinema e a forma desconcertante e não menos engraçada de contar a história de um homem que acredita que essa boneca tem vida foram a coisa mais emocionante e inteligente(o humor é uma forma sofisticada sua) que vi no cinema esse ano.

Sinédoque, Nova York
O risco de muitas boas idéias sufocarem um ótimo filme deixa de ser um risco e se torna aqui um tema. Como abarcar a realidade em uma obra de ficção? Charlie Kaufman propõe seu estilo megalomaníaco de jogos de espelho em fractal tanto como uma solução quanto problema. É arte pura e pura vida em incompletude.

Simplesmente feliz
Uma fábula moral bastante simples, mas extremamente humana e divertida. A história de Poppy, que não consegue parar de rir e fazer os outros rirem mergulha no patético sem deixar de lado a graça.

Abraços partidos
É sempre bom ver um Almodóvar. Seu filme sobre o próprio cinema como lugar de embalsamar e preservar os corpos/lembranças não é sua obra-prima, mas não deixa de transpirar vida como todos seus filmes. Destaque para a reaparição de muitas de suas antigas atrizes/obsessão.

Feliz natal
Se não houve um filme nacional que me arrebatasse completamente, a estréia de Selton Mello na direção certamente surpreendeu e sinaliza uma carreira promissora. Algumas pontas ficaram soltas, mas a sequência dentro da festa de natal da família é uma das mais intensas que vi no cinema.


A teta assustada
Há um virtuosismo que deu margem à muitos críticos tacharem o filme como ''feito para festival'', porém a maestria na direção de som e mis en scène foram o que me causou mais impacto nesse ano. A maneira como a diretora coloca os elementos e cena exploram de tal forma a espacialidade do ambiente que isso só já garantiria um bom filme, mas não se trata apenas disso.

O homem que engarrafava nuvens
Em um ano de poucos filmes nacionais que me chamaram atenção, dois documentários merecem destaque. O filme sobre Humberto Teixeira, o parceiro esquecido de Luiz Gonzaga mergulha no esquema do documentário tradicional retirando o melhor que este tem a oferecer. Na cena em que Denise Dummont, sua filha, reencontra a mãe que a abandonou quando criança, o respeito e a exposição dos sentimentos atingem raro equilíbrio em situação tão delicada.

Moscou
Apostando na direção oposta do filme de Lírio Ferreira, Eduardo Coutinho radicaliza a experiência de filmar a performance de seus personagens ao documentar o processo de criação de uma peça. Que será encenada, detalhe, apenas para a própria câmera. Mentira e verdade deixam de existir para afirmar mais uma vez que no filme o que existe é apenas a cena.

As praias de Agnès
A vinda de Agnès Varda à Fortaleza trouxe essa pequena jóia junto com ela. Contar sua vida a partir das coisas que ama e que lhe interessam muito mais do que tentar organizá-la faz com que nos misturemos não só com os acontecimentos de sua vida, mas no seu mundo e na sua memória. Aos 80 anos Agnès está mais instingante e viva do que nunca, assim como seu cinema. No caso da cineasta, mais que nunca nesse filme, uma coisa só.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Los peores del año

Em vez de fazer uma lista de melhores do ano, resolvi tentar fazer o exercício contrário: elencar os piores filmes que vi nos últimos doze meses, os quais normalmente não me dão a menor vontade de escrever sobre, mas que talvez mereçam uma espinafração justo pra tentar separar o joio do trigo.
Na tentativa de lembras de tais filmes, os que me vieram mais forte foram os filmes nacionais, reflexo talvez da safra fraquíssima que tivemos nesse ano (pelo menos das coisas que chegaram até Fortaleza). Separado especialmente para vocês, três das piores coisas que aconteceram no cinema nacional no ano:


À deriva
O enredo do filme de Heitor Dhalia tem uma premissa praticamente igual ao de Pauline à la plage, de um dos meus diretores preferidos, Eric Rohmer: jovem vai passar temporada na praia junto com a família, quando acaba descobrindo a complicação da vida dos adultos enquanto enquanto tenta administrar as consequências de se apaixonar pela primeira vez. E o resultado não poderia ser mais diferente. O filme de Rohmer traça um retrato vivo de uma jovem em vertiginosa transformação, enquanto Dhalia consegue no máximo exacerbar o que essa situação e esse estado podem ter de dramáticos. Fotografia, trilha sonora e recursos dramáticos só fazem exarcebar o drama e pouco acrescentam à própria trama.

Do começo ao fim
Praticamente uma unanimidade(negativa) crítica, o filme de Aloíso Abranches sobre um casal de meio-irmãos que têm um relacionamento homossexual parte de uma prerrogativa polêmica para sair pedindo desculpas a torto e a direito. Mata os pais para evitar qualquer tipo de conflito, faz o amor dos dois parecer a coisa mais importante do mundo e esquece de fazer que o mundo realmente exista para os dois namorados. Na vida de Tontom e seu irmão, é só alegria como em um comercial de margarina. Infelizmente, porém, o filme não tem apenas 30s.

Garapa

José Padilha resolveu fazer um filme sobre a fome ''do ponto de vista de quem vive a situação'', buscando o choque e a exposição da dor alheia, mas sem conseguir articular nada além de puro voyerismo pretensamente engajado. É como se ver e condoer-se com a situação fosse o suficiente para sanar o peso na consciência dos espectadores. Reverter a renda do filme para as famílias retratadas também aparenta ser mais um golpe de publicidade, visto que o filme teve circulação restritíssima. Melhor seria doar a renda de seu próximo filme, Tropa de Elite 2, para alguma instituição de caridade.